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VENDER A proposta comercial é a primeira entrega da sua marca
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A proposta comercial é a primeira entrega da sua marca

Toda vez que uma proposta comercial volta com o pedido de desconto, o instinto é revisar o preço. Raramente alguém revisa o documento que apresentou esse preço. E é aí que está o problema, na maioria dos casos que acompanho, a objeção não nasce do valor cobrado, nasce da forma como esse valor foi apresentado.

Uma proposta em Word, com fonte padrão, sem hierarquia visual e sem nenhuma conexão com a identidade da marca, comunica uma coisa antes mesmo de o cliente ler o número final: que aquele fornecedor trata cada projeto como genérico. E ninguém paga preço de especialista por um serviço que se apresenta como commodity.

O portfólio é a primeira entrega, não um anexo

Empresas de serviço costumam tratar portfólio, proposta e apresentação comercial como material de apoio, algo produzido às pressas depois que o trabalho de branding "de verdade" já foi feito na logo e no site. Isso inverte a ordem de importância. O cliente em potencial nunca viu o trabalho pronto, ele só tem acesso ao material que chega antes do contrato. Para ele, aquele PDF é a amostra do que será entregue.

Um escritório de arquitetura que atendo reformulou a proposta comercial antes de mexer em qualquer coisa no site. Trocou o modelo genérico por um documento com a tipografia da marca, fotos de obras organizadas por linha de atuação e uma estrutura de leitura que guiava o cliente até o valor, em vez de jogar o número na primeira página. O conteúdo do serviço não mudou uma vírgula. A taxa de fechamento mudou.

Consistência não é estética, é redução de risco percebido

Quando cartão de visita, apresentação, contrato e site seguem a mesma linguagem visual, o cliente recebe um sinal indireto de organização interna. Ele não sabe nomear isso, mas sente. É o mesmo motivo pelo qual a Apple mantém a mesma gramática visual entre a embalagem, a loja física e o keynote de lançamento, cada ponto de contato reforça que ali existe um padrão de rigor que se estende ao produto.

O oposto também comunica. Um contrato mal formatado, com fonte diferente do resto do material, gera uma dúvida pequena e específica: se a marca não cuidou disso, o que mais ficou sem cuidado? Essa dúvida não aparece como pergunta explícita na reunião, ela aparece disfarçada de "vou pensar" ou de um pedido de desconto que na verdade é um pedido de segurança.

Preço alto sem lastro visual vira objeção. Preço alto com um sistema de marca coerente por trás vira investimento.

O erro de separar branding de vendas

Times comerciais pedem "mais argumentos" para vencer objeção de preço, e o time de marketing entrega mais um slide com diferenciais. O problema raramente está na lista de argumentos, está no fato de que a experiência de venda inteira, do primeiro e-mail ao contrato assinado, não parece ter sido desenhada por ninguém. Cada etapa foi resolvida isoladamente, por pessoas diferentes, em momentos diferentes, sem nenhum critério de marca amarrando o conjunto.

Quando reviso o funil comercial de um cliente, olho a proposta, o e-mail de follow-up, o contrato e a apresentação como se fossem páginas de um mesmo documento. Se a linguagem visual e o tom de voz mudam de uma etapa para outra, o cliente sente a costura malfeita mesmo sem conseguir apontar onde. E é justamente nessa costura que o desconto é negociado.

Onde começar

Não é preciso redesenhar tudo de uma vez. O ponto de maior retorno costuma ser o documento que carrega o preço, seja proposta, orçamento ou apresentação de escopo. Ele deve usar a mesma paleta, a mesma tipografia e a mesma estrutura de argumento do restante da marca, e precisa apresentar o valor depois de construir o raciocínio, nunca antes. Um número sem contexto é sempre caro. Um número que chega depois de uma narrativa de posicionamento clara é, na maioria das vezes, simplesmente aceito.

Quer aplicar isso na sua marca?

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