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EDUCAR Extensão de marca: até onde você pode ir sem deixar de ser quem é
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Extensão de marca: até onde você pode ir sem deixar de ser quem é

Em 1972, a Bic lançou um perfume. A mesma empresa que vendia isqueiros e canetas baratas, descartáveis, pensados para durar pouco e custar pouco, decidiu que também podia vender fragrância em frasco de vidro. O produto durou menos de dois anos nas prateleiras europeias. Não falhou porque o perfume era ruim. Falhou porque a Bic já tinha ensinado o mercado, durante décadas, o que ela representava: praticidade descartável, não sofisticação. Extensão de marca não é decisão de catálogo. É decisão de identidade, e a maioria das empresas trata as duas coisas como se fossem a mesma coisa.

O teste que separa extensão coerente de oportunismo

Toda marca que cresce chega a um momento em que alguém, dentro da empresa, pergunta: "por que não lançamos também X?". A pergunta certa nunca é se existe demanda para X. Quase sempre existe demanda para alguma coisa. A pergunta certa é se a marca, com o que ela já prometeu ao cliente, tem autoridade simbólica para entregar X sem pedir desculpas por isso.

A Caterpillar fabrica tratores e escavadeiras. Em determinado momento, passou a vender botas e roupas resistentes, sob a mesma marca. Funcionou, e ainda funciona décadas depois, porque a essência da Caterpillar nunca foi "máquinas amarelas". Foi resistência extrema em ambiente hostil. Uma bota que atravessa obra e lama cabe dentro dessa essência com naturalidade. Já a Colgate, fabricante de pasta de dente, tentou vender uma linha de pratos congelados chamada Colgate Kitchen Entrees nos anos 1980. O produto desapareceu em poucos meses. Ninguém quer terminar o jantar pensando em hortelã e flúor.

A marca tem um território, não um catálogo

O erro de raciocínio repetido em quase todo caso de extensão malsucedida é o mesmo: tratar a marca como um selo de confiança genérico, que pode ser colado em qualquer categoria de produto, em vez de tratá-la como um território de significado específico, com fronteiras reais. A Virgin, de Richard Branson, está em aviação, música, telefonia e academia de ginástica, e isso não é dispersão. É porque o território da Virgin nunca foi "um tipo de produto". Foi uma atitude: desafiar o incumbente grande e cansado de cada setor em nome do consumidor. Essa atitude cabe em avião, em disco e em plano de celular. Não cabe em tudo, mas cabe em muito mais do que pareceria óbvio à primeira vista, porque a coerência está no comportamento, não na categoria.

É esse o critério que uso com cliente antes de validar qualquer extensão: não perguntar "isso vende?", perguntar "isso é algo que só esta marca, com esta personalidade, poderia fazer com credibilidade?". Se a resposta exige justificativa longa, normalmente a resposta já é não.

Uma marca não perde dinheiro quando diz não a uma oportunidade. Perde identidade quando diz sim a todas.

O custo que ninguém calcula na planilha

Extensão malsucedida custa duas vezes. Custa o investimento perdido no produto que não vendeu, isso qualquer diretoria calcula. O custo que raramente entra na planilha é o desgaste na marca original: cada vez que o cliente vê a marca tentar algo incoerente, ele reduz, um pouco, a confiança de que aquela marca sabe exatamente quem é. E confiança de marca não se recupera com a mesma velocidade com que se perde.

Antes de aprovar a próxima extensão, vale fazer o exercício inverso: listar as três decisões de produto que a marca já tomou e que, se fossem anunciadas hoje, pareceriam óbvias e esperadas pelo cliente. É esse padrão, não a planilha de margem, que diz até onde a marca pode ir sem deixar de ser ela mesma.

Quer aplicar isso na sua marca?

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