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EDUCAR Registrar a marca não é burocracia: é a primeira defesa do valor que você constrói
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Registrar a marca não é burocracia: é a primeira defesa do valor que você constrói

Toda marca que passa alguns anos no mercado segue mais ou menos a mesma ordem de prioridades: primeiro o nome, depois a identidade visual, o site, as redes sociais, o material comercial. O registro no INPI, quando lembrado, fica para o fim da lista, tratado como formalidade jurídica que pode esperar. Essa ordem é um erro estratégico, não só administrativo, porque o nome é o ativo mais difícil de recuperar se outra empresa chegar primeiro ao cartório de marcas.

O caso que qualquer empresário brasileiro deveria conhecer

Em 2000, a IGB Eletrônica, dona da marca Gradiente, deu entrada no INPI para registrar "Gradiente iphone", concedido somente em 2008. Sete anos depois, a Apple lançou o próprio iPhone no Brasil sem conseguir usar o nome com exclusividade, porque alguém já tinha reivindicado aquele território antes. A disputa foi parar na Justiça em 2013, quando a Apple pediu a nulidade do registro da Gradiente, e só teve um desfecho em 2018, quando o Superior Tribunal de Justiça negou à Gradiente o direito de exclusividade sobre a palavra "iphone" isolada, permitindo que as duas empresas convivessem com o termo. Cinco anos de processo, para uma empresa do porte da Apple, só para poder usar sem restrição o nome do próprio produto mais importante em um país inteiro.

O mesmo tipo de situação, em escala menor, acontece todos os dias com pequenas e médias empresas brasileiras. Um comerciante registra o nome da própria loja depois de cinco anos de operação e descobre que um concorrente de outro estado já registrou algo parecido. Nesse momento, quem investiu em fachada, embalagem, tráfego pago e reconhecimento de bairro corre o risco de perder o direito de continuar usando o próprio nome, porque a lei de marcas no Brasil segue o princípio de quem registra primeiro, não de quem usa primeiro.

Quando o nome vira obstáculo em vez de ativo

Há também o caminho inverso: uma marca precisa abandonar o próprio nome em um novo mercado porque alguém já registrou aquele nome ali antes. Foi o que aconteceu com o Burger King na Austrália. Em 1970, quando Jack Cowin comprou os direitos de franquia da rede para o país, descobriu que "Burger King" já pertencia, desde 1962, a um comerciante de Adelaide que vendia mais de um milhão de hambúrgueres por ano com esse nome. A solução foi abrir com outra marca, escolhida de uma lista de nomes que a própria Burger King e sua controladora já tinham registrado em outros ramos: Hungry Jack's, nome de uma linha de massa para panqueca. Mais de cinquenta anos depois, é assim que a rede opera até hoje na Austrália, com o mesmo cardápio e a mesma identidade visual da matriz americana, sob um nome diferente, só porque outra empresa registrou primeiro.

Os dois casos mostram lados diferentes do mesmo risco: perder o direito de usar o próprio nome onde você já opera, ou descobrir que não pode levar seu nome para onde quer crescer. Registrar a marca nas classes certas resolve os dois problemas ao mesmo tempo, e custa uma fração do que custa reconstruir reconhecimento sob um nome novo ou disputar na Justiça o direito de manter o que já tem.

Registrar antes de precisar, não depois de perder

Na prática de branding, trato o registro como parte do briefing inicial, no mesmo momento em que se decide nome, arquétipo e paleta de cores. Antes de aprovar qualquer peça, verifico a disponibilidade da marca nas classes do INPI relevantes para o negócio, porque um nome pode estar livre em uma classe e ocupado em uma parecida. Isso evita o cenário mais caro de todos: aprovar identidade visual completa, imprimir embalagem, rodar campanha, e só depois descobrir que o nome não pode ser usado com exclusividade naquele segmento.

Marca que não está registrada não é propriedade, é empréstimo até alguém provar que chegou primeiro.

O registro não impede que a concorrência copie ideias ou estratégias, isso nenhuma lei resolve. Mas impede que alguém dispute, com respaldo legal, o nome que os seus clientes já aprenderam a reconhecer e a indicar para os outros. Entre pagar uma taxa de registro no começo e passar anos disputando na Justiça o direito de usar o próprio nome, como a Apple precisou fazer no Brasil, a conta estratégica é simples.

Quer aplicar isso na sua marca?

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